maio 2008


Eu tava lá no lugar mais bizarro pra se conhecer gente interessante. Não sei também. Outros diriam que era um bom lugar. Mas o fato é que eu não me sentia confortável pra esse tipo de experiência naquele ambiente.

Ora, eu estava lá, esperando no ponto de ônibus. Viajando, como sempre, com os olhos perdidos na paisagem e repassando mentalmente os defeitos de cada pessoa que passava na minha frente. Não me venham dizer que nunca fizeram isso! Quando se está a milhares de quilometros de sua casa, num país estrangeiro, esperando um ônibus passar, não se tem muita coisa que fazer a não ser reparar nas outras pessoas. E pra mim, reparar significa classificar, categorizar. Trocando em miúdos, rotular cada ser indefeso que me pegou naquele dia infeliz.

Infeliz sim, fazia uns 34º F, e eu tava la de havaianas na frente do hospital. Meus pés congelavam. Hora de amaldiçoar pessoas alheias. Maldita enfermeira, maldito médico residente, maldita velhinha que passou na minha frente, maldito farmacêutico que me vendeu o remédio errado, maldito 17 que não chega e maldita pessoa que passar na minha frente!

Nessas horas estar em um país de língua estranha é uma bênçâo!! Você consegue xingar as pessoas em voz alta, sem precisar se reprimir! Ninguém vai entender mesmo! Passei a andar pela rua e olhar pras pessoas dizendo coisas como ‘vaca’, ‘piranha’, ‘fdp’, ‘escroto’. e outras variadades que só o vocabulário brasileiro  nos permite. Ajuda a ‘extravasar’, como diria Claudia Leite.    

Coisas que eu mais odeio: berinjela, perder dinheiro, ficar sem dormir, e dizerem que se fala espanhol no Brasil. A berinjela, até que dá pra comer de vez em quando. Mas os demais, me tiram do sério.

Naquele dia em particular, não havia nada que pudesse me irritar mais ainda. Não, sinceramente, eu não estava num dia bom. Parou do meu lado uma figura de 1,80, negro estilo philadelphiano, barbudo e com aquela tôuca típica de quem não tem nenhum senso de moda e tá com frio na careca. Devia ter uns 40 anos.

Olhou pra mim. Falei, numa tentativa de ser agradável, porém frustrada pela minha cara de bunda, ‘boa tarde’. Me respondeu com  um ‘what’s up’, que nunca consegui entender se era uma pergunta ou só uma daquelas expressões que não tem resposta. Olhou pra mim de novo, mas dessa vez fixou o olhar nas minhas havaianas. 

Era o que me faltava, pensei. Vai ficar me zuando por causa da havaiana. Não deu outra. Ele me perguntou tirando um sarro, se eu não tinha pena dos meus pés naquele frio . Apesar do que muitos dizem, eu sou uma pessoa muito pacífica, muito controlada. Sempre tento agir ocm diplomacia e educação, mesmo xingando a pessoa de jumento, mentalmente. Eu respondi que meu pé estava machucado, e que não podia calçar sapato fechado.

Eu e minha boca grande. Na hora, ele mudou de expressão. Parecia estar considerando a coisa toda. Veio a seguir o que eu nunca imaginaria. ‘Você é casada?’ A educação falou mais alto: ‘não’. Ao que ele continuou: ‘Não está interessada em arrumar seu primeiro marido americano??’

Encosta o 17.

Os americanos são realmente intragáveis. 

Eles dizem: Você tem que amar

Alguém que o ame. Ora, não quero!

Não quero, não quero. Quero antes que me maltratem.

Eu diria

E eles diriam: Você não pode.

Eles diriam não e eu diria ‘me cospe’.

Ai porque Deus, eu tinha que ter ouvidos?

Se o amor realmente existe, ta dentro dos meus ovários

 

Nunca vou entender porque escrevo. Eu escrevo e escrevo e escrevo. Não sou uma escritora. Escritores leem o que escrevem. Eu nunca. Escrevo porque estou na frente de um computador e tem certas coisas que nao da pra falar a um computador, pois certamente ele não vai responder?? Eu leio também! Nunca a mim mesma, claro! Minha falta de autocrítica não me permite me fazer refletir sobre as minhas discórdias. Mas ler, isso sim! Ah eu viajo nesse mundo virtual, leio blogs de cima a baixo, perfis de orkut, livros online, textos babacas de jornalecos e poesias de defuntos.

E escrever é algo diferente, nem por isso mais nobre ou sei la. Eu escrevo, tu escreves, ele escreve, nós escrevemos…ai não. nós não escrevemos!! ninguém escreve nada em conjunto, não eu (egocêntrica, acha que o mundo todo se resume a você??). Não me concentro! Escreve é um exercício solitário, quase dos NERDs que ficam sozinhos em seus quartos aprendendo a lidar com seus próprios sentimentos através da literatura e imaginação. Terapia de grupo não rola.

Eu penso, escrevo, mas acho que vomito. Enquanto isso meus pais assistem a novela das oito e pensam no jantar de amanhã. E eu escrevo. Meu irmão tenta matar o Darth Vader no video game no quarto ao lado. E eu escrevo.

E um dia meus pais, tentando ver o útlimo capítulo da novela antecipado na internet, vão abrir minha página e me levar a um analista questionando erros paternos e demência:

1) “Sua filha é psicótica!”

2) “Sua filha é depressiva!”

3) “Sua filha está envolvida com o crime organizado!”

4) “Sua filha está sendo manipulada por um grupo terrorista que articula ums conspiração contra o governo!”

5) “Sua filha é mongolóide!”

Espero não estar viva pra presenciar esse espetáculo. Alguém pode me atirar pela janela??  

eu não; eu não! eu não…

Santificado sejamos todos, os que reinam sobre a TERRA

Os que vomitam pesadelos no escritório do doutor

Ah não! Esqueci meus escrúpulos novamente no baú!

A noiva da mente has gone again and again and again

 Me salve alguém, desse pudor?

Enxugue os pêlos, não dê na pinta. Não esqueça do cabelo a tinta e a falsa cor.

A quantas anda o seu outing?? 

cheiro de terra nunca é sutil , neh??

talvez of fuuzz ca entre vos…

queos espelem.

 e ainda culpam meu resfriado. ó saudades da asma.

 

Meu irmão de 11 anos me apresentou como a coisa mais “maneira” do mundo. Olha que cruel!! Não sei se estou velha, mas duvido da diversão que essa geração curte. Ainda to estranhando rir dessas coisas…O que aconteceu com o velho pica-pau? E as pesadas lutas entre Tom e Jerry?? Existe alguém mais cruel que o Esqueleto do he-man?? Ai meus tempos de heróis e vilões…

Foi pra dentro da sala e esperou atentamente pelos passos afoitos das meninas. Não sabia mais por onde respirar para se desvencilhar de toda aquela ânsia. A espera. Ouviu o aviso debochado: “ele está vindo”. Passara todo um ano dentro daquela sala. E todo um ano correndo dela. Mas ele só viria naquele dia. O coraçãozinho apertado, ainda se perguntava se era daquele jeito mesmo. Era sua primeira vez. Não sabia ao certo se estava preparada pra toda aquela emoção. Na verdade só sentia a angústia carregada no ouvir de cada passo lá fora. 

Porque deveria fazer aquilo? “E porque não?” disse sua consciência. Uma hora ia acontecer. Melhor acabar com a expectativa de vez. A tortura é a demora. “Parecem séculos, meu Deus!!” Mas devia valer a pena. Raras as garotas da sua idade que tinham esperado em salas como aquela, mas o que se ouvia dos mais experientes é que seria ótimo, porém perigoso. Ser a precursora era emocionante. Ela passaria pelas demais com aquele ar arrebatador de mulher experiente, que conhece as coisas. As outras iriam desejar ser ela e lhe pedir conselhos. Seria respeitável. Altiva e tenaz. Quase uma heroína na turma, a qual legiões de garotas seguiriam. Um ícone.

Mas essa espera era excitantemente irritante. Ja revirava os olhos de exaustão, quando a porta abriu e ele entrou. Entrou, chegou perto e riu. Sabia da inexperiência. E ela soube que ele percebera. “Quantos anos você tem?” Não respondeu. Escolheu a superioridade do silêncio. “Você é bonita”, disse olhando-a analiticamente. Não pensou. Sem dar tempo a respiração, esfregou sua boca na dele. Ou quase. Ele a beijou também, com a expressão de quem fora arrebatado por um furacão. Não havia classe. Era contato. Durou cerca de meio minuto. Então saiu montada naquela arrogância que apenas os 10 anos de idade permitem, e sair porta afora antes de ouvir tocar o fim do recreio. Lá fora, a legião de garotas se aprontava para sentir sua áurea de diva. Havia ganhado o mundo.