janeiro 2009


eu queria mais cor.

e queria um soneto.

eu nem sei mais o que queria.

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A frieza da rua me mostrou uma sombra
Ainda uma sobra de vida

O dia me forçou a sair naquela tarde
Insuportavelmente tarde
E inabalavelmente pálida

O corpo cansado sumiu na fumaça
A pupila impotente se resguardou
E calou

Do corpo na cama fria
Se fez acender na ardência do chão
De natureza

Se desfaz em suor
A fala salgada
Da incoerência

Sangue inoperante
E respiração inconstante
Fatos, porém fábulas

Um corpo inexistente
Uma sobra, uma sombra

do branco que amanheceu o dia
na vista o embaço ardil fez-se pranto
ao nuance do tom se igualou a cortina
nas matizes de neve desfazia o encanto

e eu nem imagino – o que sei – se eu não ligo
não conheço outro passo, outro mal
tal os olhos refletindo vossa falsa moral
que no quarto, as cortinas, já deram abrigo

não há cura restante à leviandade da sorte
que por tua malícia – ou maldade – me nega clemência
enquanto eu sou ilha de veneno cortante

no envelope lacrado o resquício da fala
caiu como chumbo do céu, a eloquência
da fuga perfeita no dia da caça