Saio de um fim de semana que pareceu todo um domingo. Odeio domingos. Odeio pessoas que adoram domingos, o curtem e o idolatram como um deus mítico, desses que se passa horas nas honrarias e cerimônias sagradas. Vem a nós o sacerdote e executa o sacrifício. Feito. Agora vou ter que gostar de domingos com amor juvenil.

Só gosto de domingos em duas hipóteses: quando ele não tem cara de domingo e quando eu passo o dia inteiro dormindo. Mas hoje é domingo. Nem uma das alternativas acima.

Minha cabeça dói e eu fui a praia. Não que uma coisa tenha ligação com a outra. Mas eu fui. Sentei e observei os praianos, assim como quem observa tribos indígenas desconhecidas. Foi um tempo em que eu gostei de praia. Essa semana não. Amanhã pode ser.

Tinha crianças atirando latas na água. Tinha uma meia dúzia de famílias se estapeando em diálogos intermitentes cortados pelo som do vento.

Levei um livro. Tentei ler, mas o vento não contribuiu. Ele queria que eu observasse. Chegaram os adolescentes, com toda a sua arrogância juvenil. Prancha embaixo do braço, corpinhos sarados de criança saudável. Risos e o tom sarcástico que só se tem aos 14 anos. 

Deu aquela saudade da minha vida praiana. Minha cabeça voltou a doer.

Em casa, achei uns poemas antigos. Da época da escola, da minha adolescência. O mundo me parece tão patético ás vezes. Nos meus poemas ele era mais colorido. Acho que a adolescência é mais colorida. Eu era colorida. Hoje é tudo tão monocromático.

O domingo acaba antes de começar. Acho que quero um sundae.